MANIFESTO

POR QUE UM COLETIVO LABOR?


Surgimos em tempos obscuros. Em que uma das ordens é “Não fale em crise, trabalhe!”. Em que o Labor é chamado de trabalho, tarefa árdua, demorada, que tomou conta de nossas vidas. Nosso trabalho há muito tempo não é nosso. Apesar de nos venderem a um tempo a ideia de que “somos empresários de nós mesmos”, continuamos a trabalhar para os outros. O Labor mítico, da pessoa que provê sua subsistência, não é o trabalho que nos apresentaram. Esse trabalho é outra coisa, tem a ver com o tal do mais-valor.


Apropriamo-nos do Labor. Ressignificamos, pois gostamos de fazer coisas. Somos como os bricoleurs de Strauss, ou melhor, abrasileirando, somos "bricoleiros" pois buscamos voltar a um estado selvagem de produção. Fazemos as coisas com as mãos, tanto literalmente, em alguns casos, quanto metaforicamente, em relação ao afeto que temos por nossa produção.


Somos seres urbanos ativos, sedentos por dar forma a coisas e conceitos. Nesse fluxo, também somos artistas, mas não apenas artistas românticos. Acreditamos na retomada do conceito de arte a qual era a faceta produtiva da vida humana. Aquele artista que fazia de tudo: pintava quadros e inventava máquinas voadoras. Hoje, nossa noção de arte é guiada pelo que pode ser chamado de divisão romântico-positivista, em que o positivismo tomou para si o conhecimento técnico e científico e o romantismo a discussão das ideias, a arte, a filosofia. Acreditamos que essa separação não é benéfica a nós, mas apenas àqueles que buscam capturar nossa força de produção para seus interesses.


Por isso somos um grupo interdisciplinar de artistas, mais uma vez, no sentido antigo da palavra. Somos psicólogos, arquitetos, designers, artistas visuais, marceneiros, escritores, fotógrafos. E, ao mesmo tempo, somos só cinco sabendo um pouco de cada coisa. Por isso buscamos contagiar mais pessoas, outros profissionais em bricolagem, que gostem de aprender e discutir. Tanto os que tenham a nossa especialidade, quanto os que não. Sejam músicos, artesãos, produtores culturais, programadores... Mais ainda: buscamos ser catalizadores, para que essa cultura seja impulsionada.


BRICOLAGEM
Conhecimento Vernacular.
Ação Espontânea.
Produção Selvagem.
termor
ressignificado por
Levi Strauss

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